Arquivo por categoria Silvia Lacher

Um sonho guardado

Antigamente, eu costumava escrever mais sobre o Inter. Parece algo sem nexo, irônico até, mas na época em que o Inter ganhava menos, eu me inspirava mais. Quer dizer, na verdade, relendo meus diversos textos elaborados ao longo da década de 90 e cuidadosamente guardados até hoje, chego à conclusão de que eram, acima de tudo, grandes desabafos. Chegava dos jogos no Beira-Rio e lá ia me trancar no quarto pra escrever minhas palavras de revolta. Se é bem verdade que ninguém as lia (ou, que ninguém nunca as leu!), pelo menos me traziam algum alívio, apesar de jamais compensarem a tristeza que acompanha uma derrota.

Não vem ao caso publicá-los. Passado é passado. No entanto, seguidamente dou uma relida em um ou outro desabafo. Serve para valorizar ainda mais o momento presente. Dou muita importância a cada segundo vivido com o Inter Bicampeão da Libertadores, pois um dia já chorei imaginando quanto tempo levaria até chegar o dia de hoje.

Só para se ter uma idéia do quanto extravasava minhas angústias via lápis e papel, o texto que escrevi no dia 20 de novembro de 1996, após o Inter derrotar, no Beira-Rio, o Corinthians de Nelsinho Batista que, dias antes, havia abandonado o comando do nosso time rumo àquele que chamara de “time grande”, ocupa 5 páginas de um caderno. Termina com a minha alegria de, naquela longínqua noite, chegar em casa aos berros, buzinando e acordando a vizinhança, com quem queria, mais do que simplesmente incomodar, dividir minha satisfação após a “vingança” contra o Nelsinho!

Pois bem: foi relendo, esses dias, os textos de “revolta” que percebi que em momento algum faço referência a algum sonho do tipo conquistar a América. Meu sonho maior foi sempre ver o Inter conquistar o Brasileirão. E isso também parece irônico: como assim? O que é mais importante, ganhar o Brasil, ou a América e o Mundo? Apesar de achar que são títulos igualmente importantes, acredito que a maior parte da torcida, se inquirida a respeito, diria que uma conquista continental ou mundial é mais relevante para o Clube.

Conquistar a América – e por duas vezes! – é um grande feito. Conquistar o Mundo – e tentar reconquistá-lo! – é uma façanha ainda mais grandiosa! Mas, e o Brasileirão? Para mim, é um campeonato cheio de significados. Foi conquistando-o por três vezes, ao longo da década de 70, que o Inter passou a ser respeitado além do Mampituba, e reconhecido como um dos grandes do Brasil.

Por isso, por mais incrível que pareça, mesmo depois de ter visto o Inter conquistar e reconquistar a América, além de subir no topo mais alto do Mundo em Yokohama, permaneço com o sonho guardado dentro do meu coração colorado (feliz da vida por, hoje, poder escrever textos de pura felicidade!): ver meu Inter conquistar o território nacional, acrescentando a quarta estrela deste campeonato no peito!

Silvia Lacher – Porto Alegre/RIO GRANDE DO SUL
Meu coração é vermelho!

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Romaria

Milhares de torcedores assistiram ao último treino antes da viagem ao México

Dirijo-me ao Beira-Rio no sábado à tarde, pelas 16 horas. Tudo parece tranqüilo na cidade até chegar ao encontro das avenidas José de Alencar e Padre Cacique. Lá, um engarrafamento sem fim. Lembrou-me os dias de jogos, quando testamos nossa paciência num “anda e para” até o estádio. Tentando descobrir o motivo de tal movimento, penso em várias hipóteses: show no Gigantinho? Simulado para o Vestibular? Obras no caminho? Não. Nada disso.

O mistério começa a ser desvendado quando começo a avistar inúmeras camisas, casacos, calças, tocas, mantas, bonés, bandeiras vermelhas. Uma multidão de fiéis se dirigia, como numa espécie de romaria Colorada, ao Gigante. Afinal, tinha treino do time. O treino da véspera do embarque para o México, rumo ao primeiro jogo da decisão pela Libertadores. Rumo ao primeiro jogo que pode encaminhar a tão sonhada conquista do Bi. E lá iam eles, os torcedores.

Entro no estádio. Vislumbro uma arquibancada inferior quase que tomada. Cerca de duas, três mil Colorados aplaudem, entoam cânticos, gritam o nome de jogadores e até – quem diria! – o nome do técnico Celso Roth.

Só mesmo uma paixão incomensurável, somada a um amor gigantesco e a um imenso orgulho (que ultrapassa a tênue linha entre o ganhar e o perder, entre a derrota e a vitória – que está sempre lá, no coração e na alma dos Colorados, que não depende de resultados) para mover milhares de fiéis rumarem a um destino comum.

Que a energia da romaria vista ontem a caminho do estádio acompanhe nossos jogadores e a todos mais que nos representarão contra o Chivas na difícil missão que nos aguarda a milhas de distância.

Não vai ser fácil. Mas uma coisa é certa: temos uma multidão de fiéis a serviço do Inter.

Silvia Lacher – Porto Alegre/RIO GRANDE DO SUL
Meu coração é vermelho!

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É HOJE!

Colorado, hoje é o dia. Dia de acreditar. Dia de torcer. Dia de ter fé até o último minuto. Dia de apoiar incondicionalmente. Dia de cantar até cansar.

Hoje é o dia de fazer aquela corrente positiva. Vestir o manto sagrado, se enrolar na bandeira vermelha. Escutando no radinho, olhando pela TV ou ao vivo no estádio – hoje é o dia!

Se necessário for, hoje é dia de orar.

Que venha nosso adversário, que venha mais uma batalha. E se, junto, vierem momentos de sofrimento, angústia ou indefinição, pouco importa, pois hoje é o dia. Se obstáculos surgirem em nosso caminho, vamos superá-los, pois hoje é o dia.

Neste dia importante, nada vai nos parar. Nada nos impedirá de seguir. Uniremos força, uniremos garra. Uniremos esforços rumo ao nosso grande objetivo. Juntos, somos mais fortes do que nossos adversários.

Hoje tem de ser mais um dia para entrar na nossa história de inesquecíveis por conta de glórias alcançadas.

Colorados, hoje é o dia. Não vamos deixar para amanhã.

Silvia Lacher – Porto Alegre/RIO GRANDE DO SUL
Meu coração é vermelho!

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“VAMBORA”!

Ontem todos os caminhos levaram ao Beira-Rio. E que saudade de ver um jogo do Inter no nosso estádio! Ir ao Gigante é viciante! A Arquibancada Colorada clamava pela nossa volta! E foi uma volta triunfante, com uma boa vitória sobre o vice-líder do campeonato, que, até então, tinha levado apenas um gol em toda a competição. Ganhar, foi importante não apenas para adicionarmos mais 3 pontos na tabela do Brasileirão, mas, também, para adquirirmos confiança para o enfrentamento contra o São Paulo pela Libertadores.

São oportunidades que o Celso Roth tem para entrosar o time que considera o ideal para bater os paulistas. Chances de mostrar que a excelente vitória contra o Guarani em Campinas não foi mera obra do acaso, mas conseqüência de um trabalho exaustivo que tem sido orquestrado pelo novo técnico, desde sua chegada. Situações que podem servir para nos mostrar que jogadores que, ultimamente, não andavam agradando a torcida estão recuperando o futebol que muitos consideravam perdido (ou desaprendido!).

Assim, voltamos ao Beira Rio! Levamos, junto, nossa confiança e esperança de que a parada forçada pela Copa foi salutar para os ares do Gigante. Foi uma tarde de reencontro com a alegria indescritível de comemorar gols e vitórias Coloradas!

“Vambora”, Inter! “Vambora”, Arquibancada Colorada!

Silvia Lacher – Porto Alegre/RIO GRANDE DO SUL
Meu coração é vermelho!

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Lições aprendidas

Com a saída do Brasil da Copa do Mundo, todas as atenções se voltam, em definitivo, para a continuação da Libertadores. Cresce a expectativa em saber se as mudanças ocorridas durante esta “folga” da competição sul-americana irão se refletir positivamente no time do Inter. Foi um vai-e-vem paralelo às atenções voltadas para a África do Sul.

Se a derrota brasileira na África deixa alguma lição? Várias, dentre as quais cito algumas:

- o grupo tem de estar focado;

- o não-aproveitamento de chances para marcar gols pode ser fatal;

- a displicência e/ou irresponsabilidade de algum componente do time pode trazer prejuízo irreversível aos demais;

- o técnico deve ter humildade, trocando “peças”, mesmo que esteja indo ao encontro daquilo que a mídia apregoa por todos os cantos do país.

Longe de mim insinuar que foi um total fracasso da Seleção. Derrotas acontecem. No futebol, sempre haverá um perdedor. Falhas individuais ou coletivas ocorrem, é inevitável. Etc, etc, etc. No entanto, também podemos tirar lições de um acontecimento que abala (quase) toda uma nação.

Agora, só daqui quatro anos.

Silvia Lacher – Porto Alegre/RIO GRANDE DO SUL
Meu coraçãó é vermelho!

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Nada contra

Diferentemente da maioria dos Colorados, não reagi de forma negativa à contratação do Celso Roth, que hoje será oficialmente apresentado junto com o goleiro Renan (se tiver mais algum reforço, como Sobis, por exemplo, desconheço).

É que o Roth me deixou boas lembranças do ano de 1997, quando treinou o Inter, estreando sua carreira nos profissionais. Lembro bem que, naquela magra década de 90, cheia de dissabores e humilhações, aquele ano (junto com o de 1992) foi o que se salvou, pois conseguimos jogar o Brasileiro e o Gauchão com dignidade, honrando nossa camisa com resultados que elevaram nossa moral, tão diminuída diante de tantos péssimos resultados. Não foi só o Gre-NAL dos 5 x 2, nem o título do Gaúcho, mas toda performance ao longo do campeonato nacional que nos encheu de orgulhou, inclusive com uma série de jogos invictos no seu início – muito difícil de ser conseguida em uma competição onde os times são bastante nivelados.

Nosso time, com André no gol, Fernando e Sandoval no meio campo, em perfeita harmonia com Fabiano e Christian no ataque não tinha pra ninguém. Antes dos 10 minutos iniciais de cada jogo, o placar já estava aberto por nós, em um sinal de que rumávamos para mais uma vitória. Os jogos no Beira-Rio não tinham menos do que 40 mil torcedores espalhados pela ARQUIBANCADA COLORADA.

Já sei: muitos vão argumentar que, apesar do bom desempenho ao longo do campeonato, paramos nas finais (ou “mata-mata”). Sei disto, me lembro muito bem daquele fato. Nem tudo saiu como o esperado, é bem verdade. No entanto, Celso Roth, depois daquela temporada, já percorreu muitos times, vivenciou situações diversas, e todos sabem que, na vida, nada melhor do que a experiência para trazer aprendizado. E é isto que espero ele esteja trazendo para cá neste retorno: lições que nos levem a conquistas.

Se Roth deixou o Inter com uma dívida a quitar (aquele título do Brasileirão de 1997), quem sabe agora, depois de vivências e aprendizados adquiridos por outras plagas, não seja a hora de quitá-la com o Bi da América?

Sorte pro Roth. E pra nós também!

Silvia Lacher – Porto Alegre/RIO GRANDE DO SUL
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Movimentos positivos

Desde domingo, já vi pelos menos duas atitudes que devolvem ou reafirmam o pensamento positivo da torcida de que estamos rumo a mais uma conquista continental: a saída do técnico e do centroavante Kleber Pereira. Não sei o que acontecerá no futuro próximo, quando definiremos nosso novo treinador e quando (espero eu!) novas contratações sejam feitas. Pode ser que nos decepcionemos, mas, até agora, acho louvável estas duas atitudes da Diretoria Colorada.

Nosso ex-técnico, pior do que não conquistar o título regional, não deixou legado algum. Se deixou, por favor, avisem-me. Não vejo nada que o nosso novo treinador possa aproveitar em prol do time. Nem um esquema, manutenção de time, não vejo absolutamente nada. Seu substituto vai ter de correr atrás do que não foi feito até agora.

Outro que já vai tarde é Kleber Pereira. Chegou fora de forma, treinou em separado para recuperar a condição física ideal que, no fim das contas, nem sei se foi mesmo recuperada, pois, em campo, parecia sempre pesado e fora de ritmo. Alívio de saber que não está mais no grupo.

Daqui para diante, fica nossa maior expectativa: a de saber quem é o novo técnico. No entanto, tudo indica que, independentemente disto, algumas atitudes salutares já foram tomadas para que nossos próximos passos na Libertadores e no Brasileirão sejam dados de forma menos traumática do que acontecerem até então.

Silvia Lacher – Porto Alegre/RIO GRANDE DO SUL
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Eller e Herber

Duas lambanças foram decisivas para a derrota de ontem no jogo contra o Vasco, a terceira pelo Campeonato Brasileiro. Primeiro, Fabiano Eller conseguiu ser expulso em um jogo que, até então, era tranquilo, sem faltas graves ou muitos cartões distribuídos. No lance que resultou na sua expulsão, entrou de forma violenta e desnecessária, prejudicando o time, que, se já tinha certa dificuldade em segurar o resultado, passaria a penar ainda mais com um jogador a menos.

E se já não bastavam as próprias dificuldades Coloradas, o sempre pouco confiável árbitro da partida, Heber Roberto Lopes, absurdamente inventa um pênalti contra o Inter. Ali estava o início da infeliz noite de ontem. Vasco empatou e, depois virou.

Acho que, se todo mal traz algum bem, a derrota de ontem, somada às anteriores pelo Campeonato Brasileiro e àquela pelo último jogo da Libertadores, devem servir para refletirmos. A comissão técnica e o grupo de jogadores atuais são os indicados e suficientes para que o Inter conquiste a Libertadores e o Brasileirão???

Eller e Heber, ontem, foram personagens principais na lamentável derrota. Mas, é bom pararmos para uma reflexão. Enquanto há tempo, mudanças necessárias e salutares são sempre bemvindas.

Silvia Lacher – Porto Alegre/RIO GRANDE DO SUL
Meu coração é vermelho!

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À mil por hora!

Ontem o INTER estava a mil por hora! Time e torcida sincronizados, em busca da classificação, que não era tarefa fácil, mas que se tornou tranquila quando defesa e ataque funcionaram sem dificuldades, em sintonia com um meio campo afinado, com D’Ale em noite inspiradíssima.

Tem gente que diz que é a torcida que empurra o time. Discordo. Para mim, é o inverso. Quem incentiva e move a torcida é o time, quando está bem. Não adianta lotar estádio achando que isto é garantia de sucesso absoluto. Já vi o Beira Rio lotado e resultados desastrosos.

A questão que fica é: será que a atuação de ontem foi algo isolado ou vai se repetir mais vezes? Bem, agora nosso próximo desafio é a estréia no Brasileiro, domingo, contra o Cruzeiro. Vamos de time misto e não dá nem pra discutir a escolha. A hora é mesmo de poupar jogadores para o enfrentamento com o Estudiantes. Assim, não servirá de parâmetro para encontrarmos a resposta a esta questão.

No entanto, a esperança é que no próximo confronto pela Libertadores vejamos o time como ontem: com garra, determinado, inspirado e afinado taticamente. Sendo assim, a combinação irretocável time + torcida tem tudo pra ser repetida. O time, em campo, a mil por hora, e a torcida, na ARQUIBANCADA COLORADA, vibrando, na mais perfeita sintonia já vista no futebol!

Silvia Lacher – Porto Alegre/RIO GRANDE DO SUL
Meu coração é vermelho!

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O azar do Banfield

Esta foi a manchete de hoje do jornal argentino Olé, em relação ao próximo enfrentamento da equipe argentina pela Copa Libertadores: “O azar do Banfield”, que até os 2 x 0 que o Inter fazia levava a equipe argentina a enfretamento com adversário diverso, que não o Inter.

Hoje, o mesmo Olé destaca: “Quién más complicado parece estar es Banfield. Se cruzará ante el poderoso Inter de Porto Alegre, quien definirá con el Pato Abbondanzieri, Pablo Guiñazú y Andrés D’Alessandro en su casa, en el Beira Río, un estadio que seguramente completará los 58.306 asientos disponibles.

En su 8° participación en Libertadores, el Inter (campeón de la edición 2006, además de llevarse el Mundial de Clubes del mismo año, la Recopa Sudamericana 07, la Sudamericana 08 y la Suruga Bank 09), es el rey de la media inglesa. El Colorado terminó primero en su grupo con tres partidos ganados (todos como local, con siete de sus ocho goles allí) y tres empatados (todos como visitantes, donde apenas le convirtieron un tanto). Además, en el torneo local (que ya ganó 39 veces), el domingo comenzará a jugar la final ante Gremio, su archirrival. Aunque presentará suplentes. Igual, su palmarés es envidiable: 13 triunfos, cuatro empates y tres derrotas (la última, el 28 de marzo ante Caxias, 0-2 fuera de casa). Temible el equipo de Fossati…”(fonte: Jornal Olé)

Mesmo que “aos trancos e barrancos”, o Inter vem superando os obstáculos postos nas duas competições que enfrenta, Gauchão e Libertadores. Sob muitas críticas, dúvidas e desconfianças, mas, aos poucos, vai ultrapassando seus adversários, um a um.

Há quem critique a escalação, há os que pensam o esquema ser equivocado, há os que reclamam da falta de continuidade tanto de um, quanto de outro. Do 4-4-2 pro 3-5-2 em um piscar de olhos… e olha que nosso adversário de ontem veio com um totalmente inovador 3-4-3! Ah, se o Fossati resolve experimentar… melhor nem dar a idéia!!!

Em suma, seja convencendo ou não, sob vaias de alguns torcedores insatisfeitos ou não, o Inter tem mostrado que, na hora da decisão, é a nosso favor que os ventos estão.

E assim vamos seguindo, de partida em partida, adversário por adversário, dando um passo à frente – passos cada vez mais importantes, diga-se de passagem. Passos que podem nos levar a conquistar a América pela segunda vez e o Campeonato Gaúcho pela 40ª vez na história.

Que venha o Banfield! O azar é deles!

Silvia Lacher – Porto Alegre/RIO GRANDE DO SUL
Meu coração é vermelho!

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Carta ao Colorado

Eu sei, eu sei… dia 04 já passou, mas a festa é hoje. Tudo bem, pode não ser a festa ideal, ou seja, aquela a que todos têm acesso. No entanto, é uma tradição Centenária. O “banquete”, como era chamado antigamente, se repete desde que o INTER “se conhece por Clube” para celebrar mais um ano de vida.

Se é verdade que é o INTER quem me dá diariamente o grande e privilegiado presente de morar no meu coração, hoje tentarei retribuí-lo. Um gesto pode valer mais do que mil palavras – que pode ser comprovado quando visto a camisa vermelha e sento na ARQUIBANCADA COLORADA. No entanto, hoje te mando uma carta, como prova (mais uma!) do meu amor por ti.  Aí vai ela:

Querido INTER,

Desde que nasci tenho certeza de que nossos destinos já estavam traçados. Tu, do alto dos teus quase 70 anos, certamente já me observavas, esperando o dia em que irias me seduzir para até além da eternidade. Tu me conquistaste, e eu me apaixonei perdidamente. Foi desse tipo de paixão que não acontece todo dia, que não acontece com qualquer um. Nossas almas se uniram sem ninguém testemunhar ou comemorar. Foi um ato secreto.

Desde então, nossas vidas são repletas de felicidade e, a cada dia que passa, a cada hora, a cada minuto, a paixão que nos une cresce e se fortalece mais e mais. Eventuais tropeços ou decepções não são páreos para abalar nosso elo de amor. As vitórias e conquistas vêm apenas para brindar nossa união indestrutível.

Há 5 dias tu completaste 101 anos. És um Clube centenário, mas nem parece: és tão jovem e cheio de vida! Teus grandes títulos, tua grande torcida e teu glorioso passado te enchem de esplendor! Penso nas tuas imensas glórias conquistadas ao longo destes 101 anos e isto me faz muito feliz, me enche de orgulho. Porém, o que mais me seduz e atrai em ti é pensar não apenas no que já passou, mas, também, no teu presente, que compartilho intensamente contigo e te ajudo a construir, e no teu futuro, no teu dia de amanhã, do qual espero continuar participando e que, imagino, seja repleto de tantas outras glórias. Espero, sinceramente, poder dividir contigo a alegria de mais incontáveis gols, vitórias e títulos.

É o meu desejo, do fundo do coração (VERMELHO, é claro!).

Parabéns, meu INTER! Muitos mais centenários de vida para ti!

 

Silvia Lacher – Porto Alegre/RIO GRANDE DO SUL

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A força da ARQUIBANCADA COLORADA

Desde dezembro de 1992,  época em que o Inter disputava a Copa do Brasil, anoto todos os jogos do Colorado que assisto ao vivo num caderninho. Coisas de torcedora Colorada fanática, é claro! Porém, loucuras à parte, esses dias, olhando rapidamente as minhas anotações destes últimos 17 anos e alguns meses, percebi que, de lá pra cá, uma mudança bastante significativa no perfil dos nossos adversários ocorreu. É que, na década de 90 e início dos anos 2000, eles se resumiam a times brasileiros, até porque as competições que disputávamos eram todas nacionais. A realidade do Inter mudou. Para melhor.

Lembro-me que, quando estive acompanhando o Inter na Bombonera, em 2004, pela Sul Americana, o Colorado dava os primeiros passos naquilo que seria o “amadurecimento” necessário para a conquista de diversos títulos internacionais que teve início em 2006. Ali nascia uma nova Era, uma realidade totalmente diferente daquilo que estávamos acostumados a vivenciar – em especial para aqueles torcedores que, como eu, não presenciaram as grandes conquistas da década de 70.

Junto com as últimas grandes conquistas internacionais, veio também uma mudança de “status” perante o futebol nacional e internacional, com uma maior visibilidade e reconhecimento por parte de torcedores e imprensa de outros países. Somente para ilustrar esta realidade, observem o que disse ao jornal Correio do Povo do dia 1º de março nosso novo goleiro, Pato Abbondanzieri: “A imagem do Inter é muito boa na Argentina. Há alguns anos, só se falava no São Paulo. Agora, o Inter também é muito comentado.”

Mas as mudanças não param por aí. Percebo – com grande alegria! – uma transformação de comportamento da torcida que vai ao Beira Rio, em especial nos jogos por competições internacionais: a energia, a vibração, o entusiasmo, a vontade de torcer, de cantar e empurrar o time até a vitória é diferente de tudo o que já visto antes. A torcida aprendeu que nestes jogos a atuação (assim como a do time!) tem de ser diferente.

Mais uma vez, ilustro minhas idéias. Basta ler a propaganda divulgada pelo Inter nos jornais de segunda-feira, dia 1º de março, reproduzindo as frases usadas pelo jornal argentino Olé no dia seguinte à primeira vitória colorada na Libertadores deste ano: “Um lugar tan difícil como La Bombonera…”; “Uma torcida ruidosa, que mete presión y muchas veces es el jugador número 12.” Difícil não se emocionar diante de um reconhecimento destes… Que orgulho!

Quem esteve no Beira Rio nas partidas pela Libertadores de 2006 deve lembrar que não sentávamos, que passávamos o tempo todo em pé, tamanha a emoção e vibração pelo time. Na terça-feira passada não foi diferente: a torcida estava endiabrada, num ritmo diferente dos outros jogos, entoando os gritos de guerra com mais garra do que o normal. O Beira Rio, mais uma vez, rugiu!

Este é o caminho para as grandes conquistas: torcida em sintonia com o time. Portanto, que seja assim até o fim do campeonato. Torcedores apoiando incondicionalmente, do início ao fim dos jogos. Que a energia positiva que percorre a ARQUIBANCADA COLORADA   ajude o time a obter as vitórias necessárias para a tão sonhada conquista do Bi!

Silvia Lacher – Porto Alegre/RIO GRANDE DO SUL
Meu coração é vermelho!

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Alecsandro

O domingo passado me lembrou o domingo da conquista do Mundial por duas razões: uma, pelo calor infernal que fazia em Porto Alegre, com sensação térmica em torno de 43°; outra, pelo fato de o gol da vitória ter saído dos pés do jogador mais contestado pela torcida.

Sempre fui defensora da idéia de que não se vaia jogador do seu próprio time, e assim continuo pensando, por mais que o atleta não venha desempenhando um futebol lá muito convincente.

Desde que o Alecsandro estreou pelo Inter, nunca conseguiu conquistar a torcida. A própria imprensa o critica reiteradas vezes, durante as partidas disputadas por ele. No entanto, cada vez em que vejo o Alecsandro no campo vestindo a camisa vermelha, torço com todas as minhas energias para que ele se saia bem. Em outras palavras, para que faça muitos gols, pois é disto que vive um centroavante de sucesso.

Centroavantes passam por más fases, ficam tempos sem jogar bem e marcar gols, e talvez este seja o caso do Alecsandro. Aliás, é para isto que estou torcendo: que o ano passado tenha sido um período de infelicidade que já está enterrado no passado. E que este ano seja aquele de pura redenção, em que o jogador cai nas graças da torcida por mostrar dentro de campo boas atuações e conseguir estufar as redes inúmeras vezes.

Afinal de contas, foi ele, o Alecsandro, que conseguiu fazer o gol que nos deu mais uma vitória em greNAIS. É o gol dele que vimos ser reproduzido em rede nacional diversas vezes, reforçando a imagem que o Inter vem passando nos últimos anos para o resto do País e do Mundo: esta terra tem, sim, dono. Seja pelos pés do Gabiru ou do Alecsandro, a glória, no fim das contas, é sempre vermelha!

Silvia Lacher – Porto Alegre/RIO GRANDE DO SUL
Meu coração é vermelho!

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Dentro das quatro linhas

Guiñazu chegou para defender o Inter em 2007 como um jogador praticamente desconhecido da torcida e da imprensa local. Era apenas um volante que havia enfrentado o time Colorado pela Taça Libertadores de 2006, pelas semifinais da competição, quando defendera o Libertad, do Paraguai. Se daria certo, se supriria as necessidades do time alvirrubro, tudo era uma incógnita.

Com o passar do tempo e, principalmente, dos jogos, “El Cholo” foi adquirindo a confiança e a admiração da torcida. Passou a mostrar seu futebol, cheio de raça e competência. A cada grande desarme, a vibração da massa nas arquibancadas do Beira Rio. Os comentários mais recorrentes entre os torcedores nas arquibancadas em dias de jogos eram “esse cara joga muito!”, ou “ver o Guina jogar já paga o ingresso!”.

A torcida, que havia ficado carente de um novo ídolo (após a saída de Fernandão, lamentada até hoje por muitos, e com o desejo de que voltasse para defender o time no novo embate para a conquista do Bi da América), finalmente ia encontrando seu substituto. Até seu corte de cabelo, no estilo “moicano”, foi tomando conta das cabeças de jovens meninos Colorados. No início de 2009, ganhou a braçadeira de capitão, em mais uma prova da confiança e admiração de todos por ele no Beira Rio.

O ápice do sucesso aconteceu no fim do ano passado, quando recebeu o prêmio Bola de Prata, por ter sido eleito o melhor da sua posição de volante no campeonato brasileiro. Ao agradecer a distinção, lembrou da família, dos companheiros de time e do INTER.

Ora, tudo se encaminhava para mais um ano de glórias e eterna lua-de-mel do argentino junto ao clube Colorado, em especial por 2010 ser um ano em que as esperanças Coloradas de voltar a conquistar a América se renovaram. Até que, um pouco antes do Natal, noticiou-se que Guina havia assinado uma procuração autorizando um empresário a negociá-lo com o São Paulo, time adversário do Inter na Copa Libertadores, e sempre um rival em disputas por grandes títulos. Houve muitos mal entendidos desde então, inclusive com afirmações de que sua transferência estava praticamente acertada. Guina não quis se pronunciar a respeito, e a diretoria Colorada afirma que não há mudanças, que a permanência do ídolo é a única certeza.

O saldo de todo o ocorrido até o momento são corações partidos: torcedores que se dizem profundamente decepcionados com o ídolo; outros, dizem não se importar, acreditam que um substituto à altura será encontrado, ou que Guina nem fará tanta falta assim…

A verdade é que nós, torcedores apaixonados, sempre acreditamos no “amor à camiseta”, achamos que um jogador como “El Cholo”, que chega como um desconhecido e passa a ídolo de uma grande nação e uns dos destaques do país do futebol, vai ser eternamente agradecido, tendo o desejo de continuar defendendo as cores do clube que o projetou, e mantendo-se fiel a ele, pelo menos dentro do país onde joga.

Na minha opinião, a única maneira de solucionar o problema criado está dentro das quatro linhas: Guina, se confirmar a permanência no nosso amado clube, terá de reconquistar os torcedores que se desiludiram com o guerreiro argentino através do futebol que mostrou desde que chegou. Terá de mostrar que continua “dando o sangue” pelo Colorado, correndo com energia inacabável pelo gramado, xingando o adversário, enfim, agindo como se nada tivesse tirado seu foco do Beira Rio.

Eu acredito no “Cholo”. E vocês, o que acham que acontecerá?



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