A paixão clubística é um assunto interessante. Nas rodas de botequim, em que impera, invariavelmente, a revolução do copo (tudo é possível, até amanhã), todos, ao menos uma vez na vida, já indagaram o companheiro sobre o porquê da eleição do vermelho ao invés do azul; e vice-versa. 

As respostas não são, como era de se esperar, uniformes. Dizem alguns: “devido aos meus pais”; outros: “meu tio me deu uma camisa e me colocou na escolinha de futebol”; e, não se pode esquecer, os desavisados: “sei lá, nunca parei pra pensar, pegamos a saidera?”

A par dos diversos estudos científicos desenvolvidos sobre a temática, sabemos, apenas, que essa opção está atrelada ao lado emocional – e não, racional – do indivíduo. Mas, qual seria a intensidade desse sentimento?

Essa indagação veio como uma tempestade quando resolvi viver uma experiência acadêmica no exterior. A possibilidade de me ausentar, ainda que por um breve período, do cotidiano do clube, do Gigante da Beira-Rio, demonstrou-se angustiante.

Antevendo tal situação – e como uma forma de me manter próximo do clube -, resolvi, já às vésperas da viagem, verificar se a cidade em que residiria pelos próximos anos (Coimbra, Portugal) teria um consulado. Xeque-mate! Antes mesmo de aprontar o meu passaporte, já possuía o registro de cônsul, o que, para alguns amigos e familiares, beirava a insanidade.

Chegando a Coimbra, no ano de 2007, busquei acompanhar, diariamente, as notícias do Colorado, muito embora a diferença de fuso horário. Ouvir os debates esportivos e assistir aos jogos – pela internet, é claro – era um verdadeiro périplo, parecia um pau de enchente: “tranca aqui, trava lá, se enrosca acolá, anda um pouquinho, volta a trancar”. E por aí vai!

Com o transcorrer das estações, percebi que a minha rotina clubística superava, até mesmo, o tempo que despendia ao Colorado quando residia em Porto Alegre. A distância, então, com suas limitações inerentes, serviu como uma força motriz, a revelar uma paixão sem limites.

Sou INTERNACIONAL e sempre creditei tal condição à influência paterna. A descoberta dessa intensidade, contudo, fez-me revisitar essa natureza das coisas. Acho que sou colorado, simplesmente, porque tinha que ser. Como dizia Nelson Rodrigues “Deus está nas coincidências”!!!

E você, por que é Colorado? Se quiser abrir uma cervejinha, esteja à vontade! 

Coluna Internacional – Cristiano Flores – Coimbra/PORTUGAL
Academia do povo só tem uma !

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