Fonte: Adamo Antonioni

BALANÇO GERAL

Uma vez quase encerrado o 1º turno do Campeonato Brasileiro 2017, Série B, faltando apenas a última partida contra o Guarani, no Brinco de Ouro, em Campinas, o Internacional termina esse período de forma um pouco melancólica, ou seja, um pouco aquém do que a torcida Colorada desejava. Na mente da grande maioria dos torcedores Colorados era projetada uma supremacia inquestionável, facilidade em alcançar as vitórias e uma liderança folgada, de ponta a ponta, na classificação geral. Não foi o que aconteceu até agora… Nesse momento, apesar dos indícios apontarem para uma melhora crescente, fazendo renascer as esperanças, se torna importante analisar (como torcedor) como foi o comportamento de nosso clube até esse momento, incluindo nessa análise a gestão, o comando técnico, a equipe titular, o plantel de jogadores e a torcida, assim como, o que podemos projetar para um futuro próximo.

Ficou mais uma vez evidente os equívocos, para não escrever erros, repetidos nos últimos anos de não valorizar as lições que deveriam ter sido aprendidas com a qualificação das escolhas e definições para o início da temporada do departamento de futebol Colorado. Difícil imaginar que houve um planejamento criterioso e um plano qualificado de ações considerando todas as falhas de anos anteriores e experiências de sucesso em outros grandes clubes, visando o objetivo de retornar ao caminho de onde nosso Internacional nunca deveria ter saído. Sinceramente, os resultados trouxeram frustração e decepção à toda a torcida Colorada, que depositou toda a sua confiança na nova gestão. A impressão que restou, foi a repetição do mesmo, com as mesmas deficiências de visão, comportamento e falta de uma gestão mais profissional. A torcida Colorada não deseja somente a volta à Série A, mas a consolidação de um grande time para que nunca mais se repita essa amarga experiência. Gostaria que a atual gestão pudesse dar maior atenção a um ponto, nada é mais difícil para qualquer torcedor Colorado que ter de aguentar esse período fora da Série A e das principais competições, coisa que já estávamos acostumados a frequentar. A cada domingo o pensamento da torcida Colorada é jogado para o passado recente, não encontrando causas que expliquem a falta de atenção a todos os avisos que a sequência dos resultados em jogos e disputas estava evidenciando. É difícil aceitar calado a dimensão e as consequências dos erros cometidos nos últimos anos e isso não pode se repetir. É dever e responsabilidade dessa gestão e de outras que virão não deixar nunca mais se repetir  uma “tragédia” semelhante a essa. Não confundam soberba, menosprezo,  com orgulho, orgulho de ser Colorado, sentimento único, puro e inigualável que brota e floresce somente em corações Colorados. Entendo que quem não é Colorado não consegue compreender isso, pudera, não sabe o que é ser feliz de verdade.

Vamos para o 2º turno ainda com uma grande incógnita sobre o potencial real do time Colorado. Não desmerecendo trabalhos anteriormente efetuados, todos tem consciência que o atual comando técnico pegou uma “colcha de retalhos”, mas também é verdade que teve o tempo necessário para formar um time titular, identificar carências, definir reservas qualificados, implantar padrões de jogo e exigir dos atletas profissionalismo, empenho, espírito de grupo e comportamento de time vencedor. Para a disputa da Série B, o “terreno” encontrado pelo comando técnico foi o pior possível, pois todos sabem que existem grandes dificuldades em construir iniciando do zero, imaginem com um uma série de vícios e comportamentos altamente questionáveis enraizadas no clube e no vestiário. Conversando com outros torcedores Colorados não encontrei um que evidenciou ter certeza que isso foi efetuado e que já temos um time competitivo e de respeito. Todos gostariam de afirmar que temos, mas nenhum afirmou. Os desempenhos se repetiram com muitos pontos completamente fora da curva, com altos e baixos extremos, evidenciando falta de convicção ou do empenho necessário para atingir o objetivo que estava previamente definido. Todos, como eu, estamos indecisos em acreditar ou não no sucesso, mas temos certeza que é necessária uma mudança radical de visão, de mentalidade e de comportamento ou nosso Internacional continuará nessa rotina de trocar somente os nomes, com as mesmas posturas, se repetindo, ano após ano.  Por uma questão de justiça, temos que reconhecer que nos últimos jogos a equipe Colorada parece ter deixado de lado a apatia, a lentidão, o conformismo e a falta de um maior empenho (pegada) em campo, parecendo ter acordado para a realidade e, finalmente, estar se posicionando de forma mais ativa, como todos desejavam e apresentando uma raça de quem quer ser vencedor. Essa é a nossa esperança, nossa expectativa, pois não acreditamos que possa ser fogo em palha.

Fica muito difícil identificar quais jogadores corresponderam às expectativas criadas em torno de suas contrações, evidenciando a falta de critério nas suas escolhas. Poderíamos citar vários exemplos e não o fazemos por uma questão ética, pois não nos cabe julgar suas qualidades e as razões que justificaram suas contratações. O comportamento de uma maneira geral foi mediano para baixo, ou seja, muito aquém das suas reais possibilidades. É inegável que a falta de fixação de um time titular, sem um treinamento contínuo, sem a repetição da escalação, sem formas definidas de jogar e sem outras condições necessárias para possibilitar o entrosamento, colabora de forma negativa no potencial de cada jogador, principalmente devido a insegurança gerada por esse ambiente. Em uma análise superficial, de fora do dia-a-dia, o que se percebe é que a grande maioria dos jogadores ainda não entendeu que o Internacional é a equipe a ser batida, a presa preciosa e que cada jogo é uma “batalha” nessa “guerra” da Série B. Ou o grupo de jogadores assume essa postura, mais combativa, com maior ou igual empenho do adversário, para que a sua qualificação possa fazer a diferença, ou essa pressão, quase insuportável, permanecerá até o final do campeonato. É somente uma questão de escolha, de acreditar ou não, que a união e o empenho de todos pode superar todas as dificuldades. Parece que finalmente, no final desse 1º turno, os jogadores estão entendendo isso e reagindo conforme era esperado deles. Em se tratando de vestiário, é preciso procurar e identificar quem quer ficar nessa luta ou sair do Internacional e, quem não estiver satisfeito dentro do clube, que seja honesto e defina com a direção sua saída, deixando seu lugar livre para outros que acreditem no clube e em seus objetivos.

Em relação ao torcedor Colorado, salvo o comportamento de uma minoria insignificante de falsos torcedores, que em raros momentos de exceção, ainda acreditam que a violência resolve problemas no século XXI, principalmente quando efetuadas em um grande clube e colocando em risco a segurança de outros torcedores  (de todas as idades), tem demonstrado seu amor e respeito ao Internacional e aos demais torcedores Colorados. São dignos dos maiores elogios e do reconhecimento de todos, pois mesmo nas horas mais difíceis estiveram no Beira-Rio incentivando e acreditando nas vitórias, que não vieram, mas mesmo assim se mantiveram fiéis e otimistas. Esperamos e acreditamos que o time Colorado possa retribuir esse amor com um desempenho muito superior ao apresentado até agora nesse final de 1º turno e que no 2º turno, finalmente, consiga resgatar a alegria das arquibancadas com desempenhos mais condizentes com a história de nosso Internacional, com seu passado de glórias e com uma sequência de vitórias. que possa novamente nos encher de orgulho. 

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About Antônio Carlos Pauperio

Antônio Carlos Pauperio
Sou apenas mais um dos simples torcedores do nosso INTERNACIONAL. Atualmente resido em Salvador, na Bahia, mas mesmo distante continuo sempre acompanhando e torcendo pelo sucesso de nosso Colorado e pela alegria da nossa torcida. Para acompanhar o que escrevo, fora do nosso blog, acesse o endereço http://discutindoavidanormal.blogspot.com

11 comments

  1. Naladar Santos
    Naladar Santos

    Paupério, totalmente de acordo com teu texto. Sabe, às vezes fico pensando sobre o que passa na cabeça dos candidatos a dirigentes do Inter. Por exemplo, a gestão passada foi tão desastrada que, se um poste se candidatasse seria eleito. Por isso, não existe planejamento apresentado, debatido, questionado e aperfeiçoado. Nosso ex-presidente dizia que Planejamento era taça no armário. Nada mais amadorístico para um clube Campeão do Mundo. Quando a gestão anterior vai bem, os adversários não apresentam novidades capazes de questionar o status quo, razão pela qual o mesmo “partido”, para comparar com a política, se mantém no poder há muitos anos. As oposições são por demais fracas, tanto que o mesmo “partido” rachou e disputam entre eles este revezamento no poder.

    • Antônio Carlos Pauperio

      [one_fifth]Naladar, sinceramente, de fora, parece muito amadorismo em gestão e, por outro lado, muita soberba. Hoje em dia, há uma necessidade diária de crescimento, de acesso às novas informações e de trabalho em grupo. Muitas vezes fico imaginando o que vai na cabeça desses gestores, pois o comportamento deles não é de quem acredita em planejamento estratégico,em gestão qualificada e a necessidade que todos temos de aprender. Acredito que esse tipo de comportamento, como de meros torcedores abnegados, fica melhor nas arquibancadas. Esse tipo de afirmação que citas, completamente fora da realidade atual, me levou a lembra de uma passagem em minha vida. Quando fazia um discurso sobre a importância da tecnologia, da velocidade de renovação de informações em tempo real, da quantidade e qualidade das informações recebidas para uma decisão e do alcance com sua utilização, ouvi alguém dizer que isso era conversa mole, pois o importante era olhar nos olhos e que o contato pessoal era a melhor forma de conduzir uma empresa. Fiquei pasmo, pois ele não havia entendido nada, pois esse importante contato pessoal jamais será substituído, mas esse contato será realizado com muito mais informações qualificadas e válidas e com muito mais possibilidades de sucesso. Só vejo uma saída, o mais rápido possível, conseguir aglomerar um grupo de Colorados que sejam qualificados e que tenham suas mentes voltadas somente para o clube, dispostos a mudar tudo, que oxigenem o ambiente para repensar nosso Internacional e propor um novo projeto, onde nosso Internacional represente o que a grande massa torcedora Colorada deseja. Caso nosso pensamento ficar preso somente em vencer a Série B ou à volta à Série A, nada irá mudar e continuaremos nos iludindo com resultados pontuais e apenas sendo mais um clube no futebol brasileiro.

      • Gaude

        Prezado Pauperio, primeiro, sobre a afirmação do amigo Naladar que expõe à luz, o diagnóstico preciso do que houve no Inter não só ano passado, mas vem acontecendo há uma década. Este mesmo Partido alcançou a glória e agora vive o cadafalso por ele mesmo causado, na colheita do egoísmo e da soberba de seus dirigentes.
        Segundo, a idéia que oportunamente colocas como uma solução para o difícil momento vivido pelo Inter, segunda divisão, número de sócios de clube de primeiro mundo, estádio padrão FIFA próprio, mas administração confusa e até certo ponto atrapalhada, nas decisões que toma, nos negócios que faz e na performance que o elenco alcança, mesmo tendo tempo suficiente para preparação adequada: um grupo de colorados qualificados e com pensamento progressista com autonomia para propor um novo projeto, uma nova postura, um novo horizonte diferente do que aí está, será alvissareiro sim e muito.
        Grande abraço

        • Antônio Carlos Pauperio

          Gaude, posso estar sonhando com o impossível, mas acredito que existem muitos Colorados dispostos a colaborar com um repensar do clube. Podem não estar disponíveis para conduzir o processo, mas, certamente, contribuirão com o que possuem de melhor. Esse movimento pró Internacional, apartidário e que pense só em defender os interesses do clube, poderá contar com todos os Colorados e, quem sabe, nesse meio, possa surgir um grupo de pessoas que possuem a disponibilidade necessária para liderar o Internacional de forma mais profissional, mais capacitada, mais competente, mais moderna e mais ousada. Posso estar enganado, mas temos de sair desse rumo de fazer as mesmas coisas. Por quê não inovar? Por quê não buscar um aprendizado em clubes, principalmente europeus, que vivem em outro patamar, trazendo e mantendo grandes craques, formando grande equipes, conquistando inúmeras competições importantes e passando a alegria que a torcida tanto busca nos estádios.

  2. Alô você Pauperio!
    Depois de ler com muita atenção tua postagem onde abordados com detalhes o atual momento do INTER, quer me parecer que vamos iniciar o returno com se fôssemos iniciar o campeonato, agora com uma vantagem. Parece que todos os envolvidos finalmente entenderam essa encrenca chamada 2a divisão. Com nosso habitual otimismo, podemos afirmar: AGORA VAI!
    Colorada mente,
    Melo

    • Antônio Carlos Pauperio

      Melo, também acredito isso. Não dá para perder tempo com o “leite derramado”, agora é partir para vencer o 2º turno de cabo a rabo, sem deixar dúvidas sobres a real capacidade do time Colorado. Posso estar redondamente enganado, mas vendo os gráficos e o que está acontecendo no dia a dia, principalmente por essa evolução positiva gradativa, sem atropelos, parece que alinhamos e, sinceramente, dá para acreditar. Fico somente preocupado com os oportunistas, pois devemos estar preparados, porque os bons resultados não acontecerão sempre, cada jogo é m jogo.

  3. Dorian R. Bueno
    Dorian R. Bueno

    Aos Amigos do BAC, em especial a Adriana e o Bike Boy Colorado, quero agradecer as felicitações para o meu NIVER de ontem. Valeu !!!

    COLORADO, CHEGAMOS BEM DEVAGARITO NA VICE LIDERANÇA DA SÉRIE B !!!

    Bah Tchê aquele jogo contra o Goiás do Argel Fucks, que poderia ser bem complicado, rolou naturalmente.

    A VITÓRIA foi de extrema importância para alavancar a nossa posição até a vice liderança, renovando o astral do time, e principalmente VER todos jogando um futebol de alto nível.

    Vencer a partida por 3×0 foi algo de se comemorar muito, ainda mais por que fazia tempo que não vencíamos duas partidas seguidas dentro do BEIRA-RIO, diante de 35 MIL felizes torcedores.

    Como não sou dirigente e nem jogador de Futebol, para mim como escritor e torcedor poder presenciar o COLORADO na Série B, está sendo mais uma fonte de inspiração para escrever e conquistar muitos AMIGOS diariamente, através das minhas abençoadas CRÔNICAS.

    Desejo que o treinador Guto Ferreira e todos os seus jogadores possam continuar focados, agregando cada vez mais o espírito de humildade no GRUPO, sem estrelismo, organizado e forte de intensidade dentro do jogo para ser VENCEDOR, e permanecer no G4 desta Série B. Amém !!!

    Abs. Dorian Bueno, Google+Plus, POA, 03.08.2017

    • Antônio Carlos Pauperio

      Dorian, mesmo atrasado, parabéns. não entendi teu comentário como sendo o anúncio de seu aniversário. Quanto ao comentário na minha postagem, também acredito que estamos iniciando uma nova etapa, mesmo que ainda um pouco incrédulo, mas esperançoso. Sábado tem mais, jogo difícil e que serve para ver se nossa impressão se concretiza.

    • Naladar Santos
      Naladar Santos

      Dorian, mil perdões pelo atraso, parabéns, muitas felicidades e saúde, meu amigo….God bless you!

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