REPENSAR E RECONSTRUIR O INTERNACIONAL

Tenho pensado muito em nosso Internacional e muitas vezes acredito que sonho com algo quase impossível de ver concretizado. Pode ser idealismo, otimismo exagerado, orgulho insano ou ousadia, mas assim como acredito que a situação política e social hoje no Brasil poderia ser modificada, acredito que o Internacional poderia fazer parte da galeria de clubes de destaque no cenário mundial do futebol. Será muito difícil alguém me provar o contrário e me convencer que não podemos participar e ousar mais. Não acredito que hoje haja a participação de todos e que seja colocado à disposição todo o potencial a favor do Brasil, do bem estar comum e, em nosso foco tratado na postagem, em benefício do clube, o nosso Internacional. O que se nota hoje, assim como no Brasil, é que gente de bem e altamente capacitada, ainda não despertou para a solução dos problemas atuais ou não quer participar, por n razões, se mantendo fora e deixando de dar valiosa e inestimável contribuição.

Somos integrantes de um povo maravilhoso, inteligente, otimista, trabalhador, pacífico, honesto, sensível, solidário, formada pela mistura de todas as raças, credos e posições sociais. Vivemos e sabemos conviver respeitando as diferenças. Vivemos em um País continental, maravilhoso, incomparável com qualquer outro, habitado por gente de características específicas e singelas. Somos uma mistura de gente única no planeta, resultado de várias culturas absorvidas da contribuição de gente de bem que veio de outras Nações e que aqui encontraram um ambiente acolhedor, formando um povo que tem qualidades inexistentes em outro lugar no mundo. O que falta então? Quais as razões que justifiquem todos não se posicionarem e que impeçam uma participação maior na política, na sociedade, nos esportes, na defesa do bem comum, do respeito mútuo e da solidariedade? Quais as razões de não se colocar à disposição para corrigir o que  está errado ou que pode ser melhorado? Receio das consequências da exposição ou de perder privilégios? Comodidade ou egoísmo?  Quais as razões que justifiquem torcedores Colorados qualificados, que poderiam contribuir de forma decisiva, agregando valor ao futuro do clube, não sair dessa zona de conforto de ficar apenas lamentando, criticando ou se omitindo, fazendo de conta que tudo é assim mesmo e nada pode ou deve ser modificado? 

Na minha modesta opinião, precisamos do engajamento dessa gente qualificada que hoje acredita não ser útil ao clube ou não encontra vontade ou tempo disponível para trabalhar pelo Internacional e que se mantém afastada. Sinceramente, qualquer um tem algum tempo, por menor que seja, que pode dedicar e ajudar a repensar o Internacional. Em determinados momentos é preciso deixar a tranquilidade aparente e encontrar um tempo para se dedicar à construção de um futuro melhor, pois a história do Internacional e a torcida Colorada merecem isso. Não é possível ignorar ou desconsiderar essa força em qualquer projeto de reconstrução do clube, pois se trata de gente competente, qualificada e disponível e que apenas aguarda despertar ou ser chamada. Para que realmente se possa crescer continuamente, ousando mais com responsabilidade, não podemos perder tempo escolhendo o melhor momento. É preciso deixar de lado o egoísmo, as ambições, interesses outros e vaidades pessoais, abraçando uma causa que marcará a história de nosso clube.

Em nenhum momento estou colocando a possibilidade de alijar qualquer grupo existente atualmente dentro do clube ou qualquer torcedor Colorado em um projeto dessa magnitude. É importante a participação de todos, da maneira, quando e como puder. Tem espaço para todos e para todas as contribuições. Da mesma forma, não estou me colocando contra ou criticando a gestão atual, que também pode e deve ter seu espaço, apenas estou sugerindo que sem deixar de lado o que está sendo feito, por melhor que seja, se dê espaço para a discussão de um projeto de um Internacional maior, muito maior que o atual. A minha sugestão é um projeto de reconstrução, de repensar passado, presente e futur0 e projetar um Internacional, como a torcida Colorada sempre sonhou e de forma a atingir um patamar de excelência, galgar espaços no futebol internacional e realizar conquistas não pensadas atualmente.

É preciso esquecer esse sentimento de inferioridade que esmaga à mediocridade, à submissão e nos impede de pensar grande. É preciso ousar com responsabilidade e, com todo o esforço possível, iniciar um grande movimento para um projeto de repensar e reconstruir o nosso Internacional. Vamos partir para a criação de um projeto de uma nova realidade, de curto, médio e longo prazo. Vamos esquecer os exemplos de clubes brasileiros que são privilegiados com investimentos vultuosos, mas mesmo assim conseguem apenas alguma projeção passageira, nada duradouro. Vamos estudar as experiências de sucesso de clubes fora do Brasil, na França, Alemanha, Itália, Inglaterra, Espanha e de outros países que hoje são admirados por torcedores no mundo todo e que se mantém em projeção ao longo dos anos. Porque não o Internacional? O que nos impede? Investimentos? Coragem? Capacidade? Medo? Será que não é por essa limitação de não pensar grande e a falta de determinação em buscar um objetivo maior? Acredito que se valorizarmos o potencial de qualificação profissional e humano que existe na torcida Colorada, somada a paixão pelo clube, nossa caminhada será árdua, mas chegaremos ao sucesso no final do caminho.

É preciso colocar em segundo plano esse sentimento regional que nos mantém preso às conquistas pequenas, a se contentar em manter uma hegemonia local, que, no fundo, não tem significado maior. Essa hegemonia no futebol gaúcho é muito pouco para um clube como o Internacional. Esqueçam esses apelos dos meios de comunicação locais que só enxergam um palmo frente aos olhos e incentivam a rivalidade entre os clubes gaúchos, dificultando que cresçam e se projetam em um universo maior. Da forma como vivemos hoje o futebol no Rio Grande do Sul, jamais seremos um grande clube internacional e sempre manteremos essa distância intolerável com os grandes clubes que hoje fazem a história. Olhem para trás e será fácil constatar que perdemos os degraus alcançados e estamos novamente iniciando de degraus inferiores e de onde já saímos, há muito tempo. É preciso retornar aos degraus de onde paramos, dos degraus das grandes conquistas e partir para novos degraus que nos levem a outras maiores ainda.

Essa dolorosa queda e vivência na Série B me levou a repensar o que penso sobre futebol, sobre meu clube e a querer mais. Só voltar à Série A, já não me satisfaz mais. Quero ser torcedor de um grande clube de futebol no mundo, se não o melhor, mas de um clube que esteja permanentemente entre os melhores. O universo do futebol regional ou brasileiro é muito pouco, já não me bastam, quero mais, pois essa penosa passagem pela Série B  está deixando uma certeza sobre o futuro que almejo para nosso Internacional e uma vontade muito grande de crescer, de ser grande, bem maior do que somos hoje. Não podemos subestimar os desafios que ainda teremos nessa Série B, em 2017, mas, em paralelo, vamos repensar nosso Internacional, com calma, com prudência e com inteligência, mas com convicção e firmeza.

Posso estar redondamente enganado, posso ser considerado um visionário, sonhando com o impossível, mas gostaria de me despedir dessa passagem vendo nosso Internacional rumando para um patamar bem superior ao atual e não vejo no futebol brasileiro alguma experiência válida de sucesso a se espelhar. Posso estar enganado, mas um dia jogaremos fora essa mediocridade que nos cerca e partiremos para sermos realmente torcedores de um grande clube, modelo para o futebol internacional, fazendo jus ao seu nome, Sport Club Internacional.

Esse repensar e reconstruir o Internacional se trata apenas de mais um novo desafio à torcida Colorada que já ajudou a construir o nosso majestoso Beira-Rio, conquistado tijolo a tijolo e que hoje nos enche de orgulho. Quando foi pensado, foi tratado como um sonho impossível, a “Boia cativa”, mas essa inigualável torcida, conduzida por notáveis Colorados, conseguiu construir o mais lindo estádio de um clube de futebol. Sonho realizado, graças a união de todos os Colorados. Se olharmos nossa história veremos grandes conquistas, desde a hegemonia inquestionável no Campeonato Gaúcho, a Copa do Brasil, os Campeonatos Brasileiros (inclusive um deles, o único até hoje invicto), a Dubai Cup, o Troféu Juan Gamper (único clube brasileiro a conquista-lo), as Recopas Sul Americanas, as Libertadores da América  e o Campeonato Mundial de Clubes – FIFA, que reafirmam nossas possibilidades de realização de sonhos mais altos.

Colorados, vamos repensar e reconstruir nosso Internacional. Vamos identificar e dar espaço a gente competente, capacitada e qualificada, que possa liderar uma discussão de alto nível, de forma a chamar e unir todos os Colorados para colaborar com um processo tão importante para os sonhos de nossa torcida. Para que essa sugestão tenha sucesso, se torna necessária a compreensão da magnitude de um projeto como esse, de redesenho e reconstrução do Internacional, onde ousar de se tornar um grande clube internacional não seja uma heresia ou uma utopia. Chega de se contentar com a mediocridade, se satisfazendo periodicamente com poucas coisas pequenas e de não ser um protagonista na história. Nosso passado exige isso, nosso presente permite isso e nosso futuro nos impulsiona à frente e para cima.

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About Antônio Carlos Pauperio

Antônio Carlos Pauperio
Sou apenas mais um dos simples torcedores do nosso INTERNACIONAL. Atualmente resido em Salvador, na Bahia, mas mesmo distante continuo sempre acompanhando e torcendo pelo sucesso de nosso Colorado e pela alegria da nossa torcida. Para acompanhar o que escrevo, fora do nosso blog, acesse o endereço http://discutindoavidanormal.blogspot.com

6 comments

  1. Gaude

    Prezado Pauperio, a matéria abordada no teu post não se extingue em um post. Ela é extensa, subjetiva em vários detalhes que, somados, são o resultado do que se vê no dia a dia do clube: demora em tomada de decisões importantes, mau uso do recurso disponibilizado todo mês, amadorismo na gestão de um organismo gigante – o Inter – no cenário milionário do futebol profissional mundial, ( veja a soma que alcançou a transação do Neymar na Europa)e por tantas outras peculiaridades que necessitariam de mais espaço para serem expostas e debatidas, uma a uma e só assim, se chegar ao consenso pacificador e a partir daí, retomar os passos na trilha da história futebolística e esportiva com o vigor de quem sabe o que está fazendo e por isso mesmo, está fazendo o melhor possível.

    Utopia? Sonho fugaz? Delírio? Creio que não. Mas no atual Brasil que vivemos, ainda envolto em conluios e acordos de corrupção e desvios egoístas e pasmemos, sem a devida punição exemplar, tanto que os casos e delações continuam pipocando no noticiário nacional, sem a devida punição à TODOS ENVOLVIDOS, seremos obrigados a esperar ainda um tempo , até que tudo vá para o seu devido lugar e o nosso grande clube Sport Club Internacional possa ser gigante de uma vez por todas e não beliscar o anzol da fama mundial e logo em seguida se atolar num pântano lamacento da série B no Brasil famoso pela corrupção no mundo.

    Até nisto é preciso dar o exemplo. Passar por cima com altivez e determinação, como que dizendo: “apesar de todas as dificuldades e empecilhos imorais e oportunistas vividos no cotidiano, conseguimos impor a melhor gestão e a sua política de resultados, estampados no que o clube se tornou nos últimos anos, desde a revolução pacífica milionária construída com a participação ativa de todos os socios e cabeças pensantes ligadas ao clube.”
    É difícil, mas não é impossível. Quanto tempo ainda teremos que esperar? Quem sabe?
    Grande abraço e saudações coloradas.

  2. Naladar Santos
    Naladar Santos

    Paupério, no contexto geral, pensando na nação, em tese estou de acordo contigo, não obstante tratar-se de algo extremamente complexo e, por contemplar interesses das mais variadas ordens, se torna utópico. Estou contigo, devemos acreditar, mas, o cenário traz uma configuração completamente oposta. Vou dar alguns exemplos: até poucos anos atrás onde residia nossa reserva moral, nossa última instância de esperança? Eu diria, no STF. Era lá que depositávamos nossa esperança de que as coisas seriam colocadas no lugar. Hoje, o Poder Judiciário faliu inexoravelmente, com pessoas de baixíssimo nível moral e intelectual. Ora, o Judiciário era o que colocava, até certo ponto, o Legislativo e o Executivo, para pensar minimamente em algo legal. Agora, eles são subservientes da caterva.

    Um segundo exemplo, este menos subjetivo. Um amigo meu de infância enveredou pela política e acabou chegando a Deputado Federal. Lá nos anos 80, quando Ulisses Guimarães mandava em tudo. Chegou com aquela vontade de um jovem realizador, com planos e mais planos, ideias e mais ideais. Chegou tentando ser independente de tudo, achando que apenas defendendo projetos de interesse geral do povo bastaria para lograr êxito. Não conseguia emplacar nenhum projeto. Todos eram rejeitados sem ao menos tomarem conhecimento. Tudo parava nas prioridades de outros políticos. Quando ele consegue ser o interlocutor na tribuna, ele observava que ninguém prestava atenção e ele fazia um monólogo.

    Então, ele mudou a estratégia. Aproximou das velhas raposas, começou a apoiar os projetos destes, incluindo Ulisses Guimarães, e seus projetos começaram a andar também. Enfim, de uma maneira ou de outra, ele se corrompeu, mesmo que não tenha sido objeto de corrupção como as que vimos atualmente. Mas, ao apoiar projetos sem nenhuma convicção e conhecimento, apenas com interesse de ter os seus aprovados, dá no mesmo.

    Enfim, é muito difícil uma pessoa do bem não se corromper se envolvendo com qualquer atividade política hoje em dia. Seriam raros os casos. Por isso, muitos cidadãos do bem, não entram ou saem. Vejam o exemplo recente da Presidente do BNDES, Maria Silvia Bastos Marques, que pôs ordem na casa ao ser nomeada pelo Temer, mas por ordem casa significou travar benesses de políticos e empresários e, logo surgiram as pressões até ela se demitir alegando assuntos pessoais, mas a verdade é outra. Maria Silvia é uma das melhores executivas do Brasil, com um curriculum invejável.

    No futebol é a mesma coisa. O meio corrompe a maioria das pessoas do bem ou elas desistem ou elas bem entram. Por isso, meu amigo, sou cético, mas sonhador também…espero um dia revistar este meu comentário e dizer que tudo mudou…será que viverei tanto?

  3. Dorian R. Bueno
    Dorian R. Bueno

    ESTÁ NA HORA DE CONFIRMAR QUE O PAPAI COLORADO, AINDA É O MAIOR !!!

    Quem sabe juntos poderemos resgatar com orgulho o pensamento que o “ Papai é o maior, Papai é que é o tal, Que coisa louca, que coisa rara, Papai não respeita a cara “…. Para que tenhamos dias muito melhores torcendo pelo INTERNACIONAL neste segundo turno da Série B.

    Vamos com paciência esperar até as 16hs30min de sábado e ver o Beira-Rio novamente quase lotado de OTIMISTAS torcedores, empurrando o time para mais uma GRANDE VITÓRIA, diante do bom time do Londrina, e começar bem esta nova fase.

    Sabemos que para tudo dar certo, os jogadores precisarão manter a nova postura de determinação implantada dos últimos jogos, e desde o primeiro momento que a bola rolar no lindo gramado, ACREDITAR que serão vencedores.

    Quero desejar um antecipado FELIZ DIA DOS PAIS A TODOS participantes deste espaço tão abençoado por DEUS, Amém.

    Abs. Dorian Bueno – Google+ Plus – POA, 11.08.2017

  4. Aí entra quem, Paupério ???/ O SÓCIO TORCEDOR, sim ele como se bem diz SÓCIO, se ele tem o poder de voto para eleger um presidente de clube, ele deveria ser consultado nem que seja uma vez a cada dois meses dos rumos que o clube irá tomar, ser SÓCIO a titulo de colaboração???? Acho que por aí deve começar a mudança; contrato com jogador?? Só dentro das REGRAS que impera no clube, sem nenhuma excessão, com uma cláusula não cumpriu rua, sem direito a ressarcimento etc etc, pois na hora do contrato os empresarios dos jogadores lêem de cabo a rabo o troço, digo empresário pq os jogadores na maioria mal sabem ler e assinar ou escrever o nome.

  5. Alô você Pauperio!
    O velho planejamento de que tanto falamos. Talvez os dirigentes sejam capazes de querer nos convencer de que ele existe, só que não sentimos sua presença, pelo menos de maneira significativa.
    Há de aparecer alguém que efetivamente o faça. Assim o desejamos. Amém
    Coloradamente,
    Melo

    • Antônio Carlos Pauperio

      Melo, verdade, hoje gestão é assunto sério e existem vários especialistas no assunto. Não sei, mas penso que falta um pouco de humildade e de reconhecer que outros também podem contribuir com importantes conhecimentos. Não é vergonha identificar nossos pontos fracos e procurar soluções através do estudo e da ajuda de terceiros. Pelo contrário, isso é sinal de inteligência, pois uma equipe qualificada cria melhores condições para alcançar o sucesso. Por outro lado, o que dificulta muito uma mudança de postura é o desvio do foco por interesses outros, alheios ao clube, e a pouca ambição ou a aceitação fácil do sentimento de inferioridade que infelizmente alguns carregam. Não consigo enxergar um planejamento de alto nível, projetando uma mudança de plataforma de excelência. Como escrevi, vencer a Série B ou voltar à Série A, entendo ser muito pouco para o sacrifício já feito pelos Colorados que trouxeram o clube até hoje. Essa caminhada tem de ser à frente e para cima, buscando ser um clube de expressão mundial. Acredito que é chegada a hora de deixar de pensar pequeno. Vamos aproveitar essa lição e esse sofrimento da Série B para crescer.

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