Sejamos Realistas – Não há muito a comemorar

 

 

Não é novidade para nós que as finanças do Inter não estão bem. Nenhuma instituição, com fins lucrativos ou não, se sustenta fazendo tantas lambanças administrativas de maneira recorrente e por muito tempo. Digo que não é novidade para nós esta situação atual do Inter porque sabemos das várias decisões equivocadas que foram sendo tomadas, como, por exemplo, a inacreditável a quantidade de jogadores contratada que não poderiam nunca terem sido cogitados para defender nossa história e tradição dentro das quatro linhas. Nos últimos anos temos que nos orgulhar apenas do modelo adotado para reforma do nosso Gigante da Beira Rio. Fosse outro o Presidente à época e hoje estaríamos em uma situação de penúria.

No passado os clubes se endividavam para ganhar títulos e quase nada aparecia porque havia uma cumplicidade enorme entre os clubes, o governo e a imprensa, em nome da única alegria do povo.

Muito trabalho pela frente(Imagem: Yahoo)

Com o fenômeno das redes sociais, entre outras coisas, tudo precisa ser transparente, em que pese o lixo eletrônico que transita pela Internet. Ainda há muita coisa podre nos porões das negociações e dos tribunais que fazem com que quase todos os clubes não saiam incólumes quando um escândalo explode. Vejam nosso caso Victor Ramos. Alguém tem dúvidas de que o Inter, ao pé da letra, tinha razão? Claro que não. Mas, por outro lado, alguém tem dúvidas de que, se não fosse o interesse direto, o Inter jamais teria denunciado? Claro que não. Então, não há mocinhos neste tipo de caso. Ainda estou para ver o dia em que um clube vai denunciar uma irregularidade cometida por outro clube sem ter qualquer vantagem proveniente da denúncia.

A primeira coisa que os dirigentes precisam colocar na cabeça hoje em dia é que o clube não pode gastar mais do que arrecada. A prática de endividar o clube em nome de competir em condições de igualdade com os outros clubes, via de regra, resulta em uma tragédia logo ali na frente. E o pior, sair desta bola de neve é muito mais doloroso do que o prazer efêmero que possa ter gerado na ponta inicial do processo.

Como dizem alguns especialistas, um clube grande precisa fazer muita lambança para cair para a Série B e, mais ainda, para não voltar a Série A no ano seguinte. Podemos, mais uma vez, usar nosso clube para dar um exemplo. O Inter se modernizou e chegou a ser modelo, principalmente pela convergência das várias forças políticas, pelo programa Sócio Torcedor, entre outras medidas acertadas que nos levou às maiores glórias na década passada. Depois disso, se superou em fazer bobagens, incluindo a pior delas, aquela que trata da falta de renovação dos dirigentes e, por consequência, das ideias sobre gestão e conceitos de futebol, tanto que, a qualquer sinal mais crítico recorrem aos mesmos nomes como se fossem bidús para salvar a situação.

Tendo em vista esta situação, que se constata todos os dias nos jornais e outros meios de comunicação, não temos expectativa de que teremos condições de ter um grande time em 2018, um time capaz de nos colocar na rota dos grandes títulos. Estou fazendo o maior esforço possível, considerando minhas limitações intelectuais e emocionais, para acreditar nesta Diretoria que aí está, crendo, sobretudo, que eles farão o possível para reforçar o time a ponto de não corrermos grandes riscos de cair em 2018 outra vez. Estou entre aqueles que defendem que 2018 deve ser o ano de acertar tudo no clube e construir uma base robusta para voltar a ganhar algo importante em 2019. Passados duas semanas do último jogo do Inter e não temos nada para comemorar. O grande anúncio do porvir será a renovação do D’Alessandro por mais dois anos. Depois disso, o trabalho mais duro em 2018 será o de reduzir drasticamente o número de jogadores contratados, quero dizer, péssimos jogadores contratados. Será uma tarefa hercúlea.

Não esperemos muito mais do que isso.

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About Naladar Santos

Naladar Santos
Sou formado em Administração de Empresas, com especializações em Finanças e Sistemas Integrados de Gestão. Sou fluente em Inglês e Espanhol. Nasci no Distrito de Lagoão, Município de Soledade, em uma família de gremistas. Tão logo comecei a compreender o mundo e fui apresentado ao futebol, não tive dúvidas de escolher o Internacional como meu time de coração, mesmo contrariando meu pais e irmãos. Decisão está que me garantir grandes momentos de emoção ao longo da vida. Estou longe dos pagos há mais de 40 anos, mas nunca deixei de acompanhar e torcer pelo nosso colorado no Brasil e fora dele.

22 comments

  1. Prezado Vanderlei::
    Eu também já percebi que no blog não gostam das comparações com o rival daqui da terrinha. Por isso nem gosto de tocar nesse ponto. Mas já que veio à baila o assunto, eu digo que a diferença basicamente está num ponto: a presidência. Basta lembrar como ambos os times estavam em fins de 2014. Eles sem time e sem títulos. Nós classificados para a Libertadores. Pois bem, nesse final de ano eles elegeram um presidente. E nós elegemos Pífero. E aí, ao fim de ambas as gestões, dois anos depois, havia uma diferença abissal entre os times, a favor deles. Isso serve para demonstrar que apenas uma má escolha pode levar um time ( e até o clube ) ao fundo do poço!
    Abraços a todos os parças do blog!

  2. Estive ausente usn dias, mas volto, como dizem alguns, para azedar kkkkk normal. Ciente de que o clube não tem dinheiro, ciente de que jogadores bons, são caros e não tendo dinheiro como diz o ditado fazer limão uma limonada, mas o que está se vendo na imprensa em relação ás contratações não dá né pessoal, temos a pior zaga do brasil contando laterais junto, os dirigentes colorados estão contratando atacantes!!!!! Sei que aqui no blog não gostam de fazer comparações com o rival aqui da terrinha, mas o que está levando eles á disputar todos os titulos??? A ZAGA DELES QUE É A MELHOR DO BRASIL. Um time de futebol se começa com uma boa defesa o resto dos setores, pode ser meia boca, pois sabendo que lá atrás tem segurança o jogador do meio e ataque que são meia boca jogam com mais tranquilidade, SERÁ QUE É TÃO DIFICILOS DIRIGENTES COLORADOS ENTENDEREM ISSO???

    • Luciano

      Vanderlei eu também sou bem crítico à manutenção das coisas como estão. Acho que não dá para aceitar passivamente que só teremos time para tentar na cair novamente. É MUITO POUCO PARA O INTERNACIONAL. Sobre as comparações com o rival, acho que elas devem ser consideradas sim, pois eles também fizeram conosco em nossos melhores momentos. Eu prefiro ficar do lado da parte da torcida que se incomoda com o sucesso do rival e quer uma resposta do Clube e do time para equilibrar as coisas lá no alto, nas grandes conquistas. Enquanto eles estão em ascensão, nós estamos nos acostumando a não ganhar nada, achar normal perder o gauchão, não chegar na decisão nem da Primeira Liga e disputar uma série B e perder o título para o América MG. NÃO POSSO ACHAR ISSO NORMAL. Mas as opiniões explanadas no BAC são livres e respeitosas como de costume. Acho que qualifica o debate essas opiniões nem sempre convergentes quando se busca o melhor para o INTERNACIONAL. Já opinei em outros espaços em que os posicionamentos eram muito “chapa branca”, mas aqui podemos tranquilamente conviver com o contraditório.

      • Naladar Santos
        Naladar Santos

        Luciano, estou entre aqueles poucos que acham que o Inter é grande porque o rival também o é e vice-versa. Nos últimos anos nos acostumamos a gozar nossos rivais pelo simples fato que o Inter ganhava o Gauchão e eles nem isso. Foi por isso que chegamos onde chegamos, ou seja, pensando como grande, mas agindo como pequeno.

        • Luciano

          Sem reparos Naladar. Acredito nessa forma de ver as coisas. Com colegas e amigos torcedores do rival que são apenas fanáticos e passionais eu não perco tempo discutindo. Gosto de analisar o futebol, ver méritos e tentar ser melhor do que eles nos pontos positivos. Acho que assim conquistamos o Brasil e logo depois eles também conseguiram. Vejo que funciona assim num Estado marcado por dualidades e divisões históricas que nem sempre são prejudiciais. Claro que isso tem limites e não pode ser explorado de forma irracional.

    • Naladar Santos
      Naladar Santos

      Vanderlei, obrigado pelos comentários. Sempre bem-vindos. Permita-me discordar democrática e sutilmente. Para mim, ainda continua sendo o meio de campo o setor que ganha os jogos. Claro que, uma zaga de nível muito inferior pode comprometer muito, mas uma grande zaga sem um meio de campo criativo, intenso e rápido, no máximo vamos empatar….rsrsrs

  3. Luciano

    José você foi ao ponto que estamos debatendo. Ninguém em sã consciência defende contratações de medalhões como Anderson, Forlan, Fred e tantos outros que já contratamos ou poderíamos tentar. A questão é montar um time competitivo, mesmo com jogadores de biografia mediana. Além das tentativas de rescisões, empréstimos ou mesmo afastamento do grupo principal, esses jogadores que precisam chegar é que devem ter esse perfil de competitividade ao estilo mais identificado com o Internacional. E pouco se tem falado da comissão técnica, a qual desejamos sorte, mas só isso não basta. É preciso conhecimento, conceitos e respeito dentro do vestiário. Posso estar enganado, mas o risco é alto com um treinador que ainda busca o seu lugar na profissão para uma temporada que também afirmo que não será suficiente apenas almejar se manter na série A. A torcida vai cobrar um desempenho condizente com o que é o Sport Club Internacional.

    • Naladar Santos
      Naladar Santos

      Luciano, obrigado por adicionar mais comentários, sempre muito consistentes com a ideia geral do texto.

      • Luciano

        Eu que agradeço Naladar pelo espaço democrático de debater ideias em alto nível com os amigos(as) do BAC.

  4. Concordo com o Naladar, pouco temos a comemorar e cair na real que ano de 2018 não se vizinha com boas possibilidades de títulos ao Inter. Falei em postagens passada, de se manter o foco na Copa do Brasil, que é o título de maior expressão em termos financeiros, com premiação de 50 milhões do vencedor. Mas é muito difícil. Não temos nem uma base de time confiável. E sem grana para contratar grandes jogadores, acho que ficaremos numa posição mediana durante o brasileirão, pois os nomes contratados ou cogitados não empolgam. Mas o pior de tudo é administrar a herança maldita do Pífio. Umas duas dezenas de nabas. E caríssimas ao cofre do Inter, como Anderson, ex jogador premiado por Pífio com 4 anos de altos salários!
    Não vai ser fácil conciliar esses jogadores com a real situação financeira do clube.
    Mas… temos que contar com a criatividade da direção, pois time grande não pode ficar nessa situação de apenas lutar para se manter na primeira divisão.
    Abraços a todos os parças do blog!

  5. ALÔ VOCÊ NALADAR!
    É bem verdade, nos tornamos modelo. Primeiríssimo lugar de como se faz um estádio e ao término desse sem contas a pagar e quando as tem são absolutamente dentro de algo muito razoável, estou falando de 1969. Depois nos tornamos modelo de formação de elenco. Fomos modelo de reconstrução, retomada de um caminho, calcado em verdades: FERNANDO MIRANDA. Fomos a partir daí modelo de reconstrução e de implantação de uma campanha de sócios que nos levou a 100 mil, tudo a partir dos títulos forjados nas significativas conquistas. E por último nos tornamos modelo de como não se manter algo que vinha dando certo. Viramos modelo de arrogância, ganância e de gente incompetente em todos os sentidos. Modelo de como não se fazer venda de transmissão de jogos (Expectativa para ver como termina esse embróglio TV INTERATIVA). Agora somos modelo de um torcedor de fé que acredita que reconstruir é possível. OREMOS!!!
    Coloradamente,
    Melo

  6. Boa tarde

    Precisamos urgente transformar nosso modelo de gestão.

    O clube já passou da hora de ser tratado como uma empresa, ter um modelo de gestão responsável.

    Já falei em algumas postagens anteriores, com o numero de sócios que temos, deveríamos, ajustar nossa folha de pagamento em cima da arredação que temos com nosso torcedor.

    Eramos para ser um clube estruturado, não sou contra vender jogador, muito pelo contrario, acho que o clube precisa de receitas, até porque daqui a pouco não podemos correr o risco de um jogador sair de graça, mas não precisávamos depender disso para o equilíbrio financeiro do clube.

    Eramos para ser autossuficientes, mas como você falou, eramos considerados clube modelo, mas nos perdemos pelo caminho, seja lá porque, seja por ganancia, por vaidade, a verdade é que precisamos URGENTE se reorganizar e voltarmos aos trilhos se quisermos voltar a ganhar títulos e principalmente sermos respeitados.

    Pois nós sócios e torcedores fomos fieis e ajudamos no pior momento, mas a torcida não é trouxa, afinal é nosso dinheiro de sócio que muitas vezes é jogado pela janela, por causa de administrações desastrosas.

    Difícil acreditar em uma reviravolta, mas precisamos começar a plantar para colher frutos la na frente.

    Vamo Vamo INTER

  7. Luciano

    Sim Naladar, é um debate muito bom de ser feito. Eu acredito que o INTER tem outra exigência. Apenas administrar problemas não condiz com a envergadura do Clube. Mas é um debate proveitoso sem dúvida. Eu acredito na coragem de fazer um time competitivo, começando por um treinador que não se encolha com o tamanho do desafio. Nesse ponto, ainda acredito que começaremos muito mal a temporada de 2018.

  8. Luciano

    Olha Naladar, concordo com o quadro desenhado e com as providências administrativas severas que devem ser adotadas. Agora, em nome do patamar alcançado pela instituição e da sua relevância no cenário nacional e internacional, não acho nada bom olhar para 2018 como ano de se manter na série A. Isso se aplica a clubes menores. O América, o Paraná e o Ceará podem se dar a esse objetivo principal. O Clube já vem encolhendo em todos os quesitos e o ânimo da torcida é o bem mais valioso a ser trabalhado. Mas não sei se os atuais dirigentes têm essa visão. Particularmente, creio que não, pelas demonstrações de escolha de um treinador ainda aspirante a esse cargo e contratações de nível de série B já anunciadas. Tempos difíceis pela frente.

    • Naladar Santos
      Naladar Santos

      Luciano, em tese concordo contigo, mas a realidade é muito dura. Temos quase 60 jogadores sob contrato e, pro meu gosto, uns 10, entre titulares e reservas, são aproveitáveis. Logo, não podemos fazer loucuras como outros fizeram, contratando medalhões no desespero de ganhar um título, sem lograr êxito. Muito obrigado pelos comentários.

      • Luciano

        Ah, Naladar, esqueci de comentar, Deus queira que não seja verdade essa notícia de tentarem prolongar o contrato do Felipe Gutierrez. Tomara que seja tentativa da imprensa de gerar fatos com assuntos do Internacional. Não acredito que dirigentes responsáveis façam esforços para isso. Abraços!

        • Naladar Santos
          Naladar Santos

          Pois é, Luciano, dentro de campo não mostrou nada, mas há quem acredite que foi um período de adaptação. Falam também que ele é boa gente no vestiário. Durma-se com um barulho desse.

  9. Nelson Tchê
    Nelson Tchê

    Naladar,
    Um fenômeno recente que aconteceu no Inter foi essa mudança de patamar na esfera de gestão do clube. A pouco tempo parecíamos um exemplo de modelo vencedor, um clube que havia bem entendido a lei Pelé, que revelava e preservava os talentos através de contratos bem elaborados, longos , com multas compensatórias. Invariavelmente jogadores eram vendidos revertendo aos cofres do clube altos valores que era reinvestidos sem perder qualidade, já era uma quase regra a venda de pelo menos um jogador por ano mas sem traumas, pois novos surgiam ou eram buscados de forma inteligente. Por outro lado, uma boa administração do futebol nos tornou o clube mais vencedor nessa virada do século, diante desse cenário nosso quadro de associados cada vez crescendo mais, batendo recordes, nosso estádio reformado num modelo de negócio bem conduzido, recebemos a copa do mundo, estávamos na vitrine.
    Mas eis que se perdemos em algum momento, passamos a ter contratos longos e caros com jogadores duvidosos, muitos jogadores e pouca qualidade como bem mencionaste, dirigentes errando em série, trazendo e trocando treinadores abaixo da crítica, jogadores descomprometidos e muitos deles ruins mesmo… com toda essa cartilha , fomos pra segunda, voltamos como não poderia ser diferente, mas parece que estacionamos num patamar bem abaixo daquele nível que estivemos recentemente. Também não estou otimista a curto prazo, ainda busco entender o que realmente aconteceu. O duro é olhar pro lado e ver nosso tradicional adversário no caminho inverso…alguém lá está pensou e agiu diferente da gente!

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